Arte acima: Guilherme Kramer
Este conteúdo digital integra o livro “IBAO é a história: múltiplos olhares sobre o seu centenário”.
Por João José “Tucano” da Silva
Pode-se dizer que foi uma cena “trágica” e, ao mesmo tempo, cômica que marcou para sempre a vida de Hélio Albertini.
Assim como eu, o engenheiro mecânico aposentado, Hélio Albertini (70 anos), também nunca foi aluno do IBAO – Instituto Borges de Artes e Ofícios –, mas costumava frequentar essa tradicional escola ituana quando era garoto. Seu pai, Adhemar Albertini, era professor de Desenho Mecânico no SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial –, instituição de ensino profissionalizante que funcionou por cerca de 25 anos nas dependências do IBAO. Posteriormente, o professor Albertini chegou inclusive a lecionar também à noite no instituto.
Hélio estudava na Escola Estadual Regente Feijó e, algumas vezes, quando tinha tempo, gostava de acompanhar o pai em seu trabalho para conhecer como eram as aulas do SENAI no lendário IBAO. Também chegou a visitar as oficinas mecânica e marcenaria. Hélio conta que ficava impressionado com tudo o que via. Certo dia, ele entrou na classe no momento em que Adhemar estava ao lado de um aluno – cujo nome ele não se recorda –, avaliando o desenho mecânico, executado com capricho pelo estudante numa daquelas tradicionais e imensas pranchetas.
O garoto Hélio, de apenas 10 anos, movido pela curiosidade, dependurou-se pela parte mais elevada da prancheta para ver o desenho. Mas foi o maior “desastre”: bateu a mão no tinteiro de tinta nanquim, que “lavou”, de cima a baixo, o trabalho que o aluno havia acabado de fazer. Hélio conta que seu pai ficou uma fera e o mandou imediatamente para casa. Muito embora esse episódio ficou marcado negativamente na memória de Hélio, suas visitas às aulas ministradas por seu pai, assim como sua presença naquele ambiente repleto de máquinas, tornos, fresas e ferramentas, foram decisivas na escolha pelo curso de Engenharia Mecânica.
Sobre a convivência no ambiente do IBAO, Hélio lembra de como era bonito notar a integração entre direção, professores, funcionários e alunos na época do Natal com a distribuição de brinquedos de qualidade, os quais deixavam os alunos fascinados. Também em suas lembranças estão os torneios de futebol de salão entre professores e alunos, promovidos pelo assistente social, “professor” Carlos Alberto Secchi, na quadra da escola, assim como as peregrinações a pé, chamadas tradicionalmente de “romarias”, realizadas na Semana Santa até Pirapora do Bom Jesus/SP, naquela época. Tudo isso são marcas indeléveis da convivência no IBAO que Hélio guarda para sempre na memória e principalmente no coração.
Em tempo: toda essa bonita relação histórica e afetiva de Hélio com essa tradicional escola também de ensino profissionalizante que, no passado, se chamou Liceu de Artes e Ofícios e Ginásio Industrial, eu tinha a intenção de contá-las na Revista Campo&Cidade comemorativa ao centenário do IBAO, edição nº 150 – setembro/outubro de 2024. Infelizmente não foi possível, pois quando conversei com ele a revista já estava diagramada e pronta para impressão. Então, fica aqui esse importante registro.
João José “Tucano” da Silva
Formado em jornalismo pela UNIMEP – Universidade Metodista de Piracicaba – e em radialismo pelo SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, de Sorocaba. Fotógrafo profissional, violeiro integrante da Orquestra Ituana de Viola Caipira, fundador e editor-responsável da Revista Campo&Cidade.
Confira a matéria sobre o lançamento do livro do IBAO no portal de notícias CAMPO&CIDADE!




