Texto publicado por Jean-Frédéric Pluvinage, diretor da FoxTablet, na Revista da Acadil 2024.
console.log(“Χαῖρε, κόσμε!”);
Eos, a eterna deusa da aurora, passou pelo Olimpo serena e bela, como sempre fazia, trazendo com seus dedos róseos um manto que era o próprio amanhecer e a esperança de um novo dia.
Os raios da manhã em nada surpreenderam a Zeus, no trono com seus próprios raios em mãos: já estava vigilante. Acordava cedo para observar a humanidade e a vida trágica de seus heróis. Controlava a tudo, mas por trás das nuvens, era um programador do destino. Um tapeceiro da realidade em seu tear, cujas tramas formam padrões e matrizes ocultas.
Era um trabalho árduo para garantir a ordem helênica das coisas: tudo deve seguir sua finitude e simetria. Tudo tem seu propósito teleológico. As ninfas dançam livres e soltas, – e como são belas… divagava Zeus – mas sempre se movimentam conforme a passagem do tempo, assim como Eos deixa agora seu lugar a Hélios, que inicia sua cavalgada solar na abóbada celeste e este será logo seguido por sua irmã Selene, a deusa lunar.
Mas este não seria um dia tranquilo como ele almejava. As forças do caos, pertencentes às ordens antigas dos titãs, decidiram voltar do Tártaro para atormentá-lo. Seu filho Hermes, o mensageiro, surgiu com a força do vento do norte em seu aposento. Seu olhar era aflito, e logo o avisou:
— Divino pai, há uma kēleuma presente entre os humanos. Um evento fora até mesmo da nossa compreensão!
Celeuma… Zeus se surpreendeu: algo escapou de sua supervisão. Só poderia ser uma falha na sua matriz, sfálma, um erro no sistema.
while (Laelaps < Teumessia) {
printf(“sfálma”);
Laelaps++;
Teumessia++;
}
Hermes explicou a fonte do infortúnio: era o cão Laelaps – que o próprio Zeus criou para presentear Europa – que saudades dela…
Esse cão era perfeito em sua essência: perseguia e alcançava toda presa, sem falhar. Uma criatura fantástica, que por meio de uma longa troca de favores e influências, foi usado pelo general tebano Anfitrião – cuja esposa é tão sensual… – para perseguir a lendária raposa de Teumessia, aquela que nunca pode ser capturada.
O general sabia que sua missão era impossível, mas acreditava que poderia enfrentar uma força infindável com outra igual mas em direção oposta.
— Prossiga Hermes, meu filho. Zeus pedia mais explicações, mas já começava a entender a kēleuma…
O cão, solto pelo astuto Anfitrião, assim que farejou o odor da infame raposa, disparou em sua direção sem piedade. Conforme os desígnios de Zeus, Laelaps sempre captura sua caça. Já a raposa também tem seu desígnio próprio e conseguiu escapar das garras de seu algoz com um pulo certeiro, mantendo-se sempre à frente de seu caçador.
Caça e caçador fizeram então a sua dança, mas fora do tempo. Poderia passar Eos, Hélios e Selene, de nada adiantaria: continuariam a correr, um atrás do outro, infinitamente. Estavam fora do tempo, da ordem, dos deuses.
Sfálma, um erro no sistema: o loop infinito.
O perfeito código helênico estava comprometido.
break;
Com seu poder sobre todo o sistema, Zeus mexeu na matriz. O senhor dos raios e também o primeiro programador, quebrou o loop infinito: com suas palavras de ordem e o lançar de um raio fulminante, transformou o cão e a raposa em estátuas, mantendo-os presos nessa perseguição impossível e sem fim.
Estava restaurada a ordem.
Selene, a deusa lunar, trouxe então o findar de um dia caótico. Mas Zeus continuava acordado. No fundo, no fundo, imaginava se ele também poderia escapar do código que ele mesmo criou.
return 0; ERROR: #Sfálma #Sfálma #Sfálma





