A FoxTablet inicia nesta página sua seção de entrevistas com autores que publicaram seus livros com a editora. E nosso primeiro entrevistado é Odair Schiavone, um dos maiores e mais famosos escritores de Salto.
Odair Schiavone autodenomina-se o Peregrino Literário, e atua como escritor romancista, poeta e um apaixonado pela vida.
Um grave acidente de trânsito ocorrido na infância fez com que, aos 22 anos, a perna de Odair formasse uma trombose devido a má circulação, o que obrigou a sua amputação. A partir de então Odair seguiu a sua vida como portador de deficiência física, e sentiu a necessidade de compartilhar essa experiência através das letras, a partir daí desenvolveu o gosto pela escrita e pelo romance.
Esteve presente na fundação e organização das principais ONGs saltenses voltadas aos portadores de deficiência física, como a ADEFIS (Associação dos deficientes físicos de Salto), a ASPAS (Associação de Pais e Amigos dos Surdos) e a ADEVISA (Associação dos Deficientes Visuais de Salto). Também foi um dos membros fundadores da ASLe (Academia Saltense de Letras), e sua cadeira foi a de número 9, cujo patrono era José de Alencar, escolhido por ele, por ser o seu escritor favorito desde a adolescência.
Odair dedicou-se inteiramente à carreira de escritor a ponto de sair de um cargo público na Prefeitura de Salto para vender os seus livros em viagens nas cidades do interior de São Paulo. Odair andava por estas cidades e vendia seus livros nestas peregrinações, uma vez que não teve boa experiência com venda por meios mais tradicionais, como as livrarias, no início de sua carreira literária.
Publicou recentemente pela FoxTablet o livro Uma vida peregrina, sua 18ª obra, na qual associa os anos de publicação dos seus 17 livros anteriores com fatos da sua vida e carreira.
Nesta entrevista ele revela um pouco sobre sua experiência como escritor ao longo da carreira.
Odair, este é o seu 18º livro, a sua autobiografia. Você já colocou pessoas reais como personagens em seus livros, mas como é ser seu próprio personagem?
Contar a minha própria história foi intrigante. Foi uma viagem de volta às origens, abrir portas que estavam fechadas há muito tempo. Revirar gavetas, achar papéis e documentos amarelados, mas ainda com vida, fotos, etc.
Escrever minha história foi como tentar reviver algo que não dá mais pra ser vivido.
Quando terminei, uma pergunta veio em minha cabeça: “como pude realizar tantas coisas dentro dos meus 70 anos?”.
O que você observa de diferente ao escrever agora em relação ao momento em que escreveu o seu primeiro livro? O que a experiência lhe trouxe em relação a escrita?
A experiência que tive de quando escrevi meu primeiro livro até o último foi que a inspiração vem quando ela quer. Parece ter vontade própria. É como se ela desse as ordens.
Para mim tenho a impressão que toda essa gama de inspiração que tive, para escrever 18 livros, tinha que fluir nesse espaço de tempo: 30 anos.
Hoje já não me vem mais nenhuma inspiração para escrever romance.
Às vezes nasce um pequeno conto, uma poesia, um frase, etc., só coisas pequenas.
Não sei explicar porquê, mas é o que tenho notado.
O livro destaca as suas participações e fundação de institutos sociais na cidade de Salto para a assistência aos portadores de deficiência. Como vê os direitos dos portadores de deficiencia hoje em dia? Há muito a ser feito e a melhorar?
Sim! Com certeza! A inclusão é um processo longo, e contínuo.
Arrisco-me a afirmar que é eterno. Enquanto houver seres humanos com deficiência, haverá necessidade de adaptações, luta por diretos, conscientização da sociedade.
Não podemos nos iludir com o que já foi feito. Peço a Deus que coloque outras pessoas, que como eu, tenham coragem e amor para continuar essa luta, esse processo em prol da inclusão das pessoas com deficiência.
Na sua biografia, vemos que você acompanhou o mercado editorial ao longo dos anos, e criou um sistema de vendas fora dele. Ainda acha que o mercado das livrarias é muito restrito aos autores nos dias de hoje? Tem alguma sugestão para estimular a venda de livros no Brasil?
Essa é a “pergunta de um milhão de dólares” (risos).
Vender livros no Brasil através das livrarias, só funciona com um grande plano de divulgação, o que não dá para qualquer escritor.
Tive sorte de encontrar um método que deu certo, mais ou menos, mas se o escritor tem uma outra profissão, seu orgulho não permitirá que siga o caminho que segui. Não vejo grandes luzes para novos escritores. Infelizmente!
Você fez a decisão ousada de deixar um cargo público para se dedicar à escrita. Quais os seus conselhos aos autores novos que querem publicar seu primeiro livro atualmente?
Meu conselho é que se dedique integralmente à carreira, até o sonho acontecer.
É difícil, não quero enganar ninguém, mas quando acontece é extremamente compensador, do ponto de vista da realização do sonho.
Agora, financeiramente, não aconteceu comigo, mas pode acontecer com qualquer pessoa. Tudo é uma questão de fazer ou não as coisas certas.
Como adquirir o livro “Uma vida peregrina”?

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